Cornetada Vitoriana nº 57: Que roubada!

Fla X GoiasSaí de Brasília e enfrentei os quase 200 km que separam a Capital da cidade de Goiânia, que abrigaria o palco de mais uma apresentação do Mengão nesse Brasileirão esquisito. Estrada cheia, parada estratégica pra me abastecer do melhor da comida de beira de estrada: pastel e coxinha de galinha. A lanchonete já mostrava o que viria multiplicado por 1 mil a seguir. Dezenas de rubro-negros com a mesma idéia na cabeça e a mesma vontade de ver o seu time do coração em campo, no lugar mais próximo de sua casa que este campeonato permite. O jogo contra o Goiás em Goiânia é um acontecimento na vida dos candangos flamengos. Na estrada, dezenas de carros com bandeiras tremulando, adesivos do escudo mais lindo do mundo e ocupantes muito bem paramentados. Nos arredores do Serra Dourada já se podia ter uma idéia da divisão latifundiária das arquibandas. Meio a meio, talvez. Um cerveja (estava dirigindo), um churrasquinho, tão maroto quanto suspeito e o êxtase de estar a minutos de uma das maiores emoções da vida de quem gosta de futebol e ama o Flamengo. A organização do jogo, não sei se a mando (provavelmente) da diretoria do pequeno esmeraldino sem tradição e sem título, ou por obra deles mesmos, já que alguns membros do staff estavam vestidos com aquela coisa verde horrorosa destoou. Se tratar a torcida adversária daquele jeito, impedindo-a de entrar no estádio (no estádio, nas arquibancadas a história seria outra, bem pior) é sinal de organização e estrutura, prefiro mil vezes a bagunça da Gávea. Até cavalo da polícia montada tive que empurrar para que as crianças ao redor, em especial o Bruninho, sobrinho do goiano e rubro-negro (chupa, seu babaca Hélio dos Anjos) Rodrigo, amigo de longa data, não fossem pisoteadas. Dentro, impossível o acesso ao anel reservado para a Magnética. Não fosse o bom senso, ainda que tardio, dos policiais que faziam o isolamento entre os bem vestidos e os mal em diminuir a faixa que os separava e eu não teria visto o jogo. Dentro, e confortavelmente instalado, a força e o tamanho da maior torcida do mundo, ainda que meio tímida e desanimada, era algo de emocionar. Durante o jogo, seria melhor ainda. Esse era o cenário. Triste seria o seu fim.

Bom, ao jogo. Não sei se merecíamos ganhar. Acho que sim, o Flamengo e sua torcida merecem ganhar sempre. Temí pelo pior ao ver um gol precoce, um domínio goianista ao qual não estamos acostumados (e nem eles) e outro gol, com clara e manifesta participação do árbitro. O próprio juiz assumiu o erro. Apesar da apatia, dava, sim, pra sentir que poderíamos reagir, ainda no primeiro tempo. Como, também, podia-se esperar por coisa pior. Faltas e saídas de bola invertidas, geral apático dentro do campo, mulambada sem mérito pra vestir o Manto e torcida quase impaciente e aborrecida. Se o adversário teve méritos próprios, não sei dizer. Mas é certo que um time não impõe a falta de vontade do outro. Ah, ia esquecendo, o Dênis Marques me parece ser o próximo candidato a desgracença do elenco. Quero estar errado. E foi assim, com ele, que o Fla foi para o vestiário. Para voltar sem.

No retorno, outra atitude. Um pênalti marcado e outro não no Imperador, média 5, passou (?) o juiz. Um verdadeiro massacre, mas muito maior que o supostamente oferecido pelo Goiás no primeiro tempo e o segundo gol era questão de tempo. Andrade mandou muito no intervalo, tanto nas entradas do gringo e do bom Bruno Paulo, quanto na resenha balançadora e botadora de vergonha na cara dos cabras. E eis que veio o empate, em jogada sensacional do Petkovic. O cara não desaprendeu mesmo, e provou que jogar em Florminense, Goiás e Atrético-MG é que faz um pobre desaprender. Golaço e delírio da Nação. Como se não bastasse, a virada foi, infelizmente, virtual. Mais uma vez a anta de bandeira na mão impediu nosso sucesso. Aos 40 minutos, o Bruno Paulo ia entrar com bola e tudo. Mas não deixaram. Bom, chega de falar de arbitragem e o resto todo mundo já sabe.

Ainda assim, valeu. Mostramos pro cretino do treinador esmeraldino que torcida de futebol é paixão, é coração, é amor. Vai muito além de limitadores geográficos, região, origem ou da opinião imbecil de um famoso quem. Mostramos de novo o que é torcida e sua força. É pena que eles estavam em maior número e os 3 a mais que estavam dentro do campo, estranhamente vestidos de preto, fizeram toda a diferença.

Faltam 18 vitórias.

Flamengo até morrer!

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