Arquivo do mês: agosto 2018

cornetada vitoriana 278: Ficou barato

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O caos

Segundo diversas tradições mitológicas, caos é o vazio primordial colossal, ilimitado e indefinido, que precedeu e propiciou o nascimento de todos os seres e realidades do universo. Para a filosofia, similarmente, é o estado de caráter desordenado e indiferenciado de elementos que antecede a criação dos tempos. É a bagunça, a desarmonia, a confusão. Podem chamar o Flamengo que vocês viram (não) jogar ontem contra o Cruzeiro disso tudo aí acima.

Não dá pra esperar resultados diferentes fazendo a mesma coisa sempre. Esse é um bom conceito para a palavra burrice. Não quero exatamente atribuir a alguém a alcunha de asno, mas não se pensa futebol com o estômago. Quem faz isso é conhecido como torcedor. Estamos um pouco longe ainda de nos impormos frente a times preparados, bem treinados, e, sobretudo, velhacos, como de regra são os times comandados pelo Brother Menezes. Acho que ele só não conseguiu isso no próprio Flamengo de 2013, razão pela qual, acho, ele pediu penico e vazou pela porta dos fundos. Dane-se!

Fato é que o menino Barbieri careceu de um pouco de malandragem ontem, o que sobra no técnico norte-uruguaio. Até demais. Liderar a maior parte do Brasileirão não credencia time nenhum a dormir no ponto e perder o ônibus rumo ao triunfo nas demais competições. Sapatinho mode on e oba-oba nível zero deveriam ser estatutários no Clube de Regatas do Flamengo. Escalar o time apropriado pra jogar contra uma equipe experiente também seria aceitável e mais produtivo. Me pareceu que o Cruzeiro entrou pra espremer, pra não deixar o Flamengo jogar, jogar mesmo, ir um pouco além de ficar com a bola nos pés. Jogar no sentido de fazer jogadas, de atacar, de infiltrar e chutar a gol. 66% de troca de passes estéreis na frente do círculo central não servem. E o Mano conseguiu neutralizar isso tudo simplesmente impedindo o Fla de fazer o que faz de melhor: atacar. É bem verdade que um gol antes dos primeiros 10 minutos de jogo ajudam muito. Foram decisivos ontem. Para o nosso lamento. Para a nossa tristeza. Ah, desnecessário lembrar que esses 2 a 0 são uma merda em si, mas no Maraca, foram o horror.

A coisa estava tão feia que o mito (ahah) Dedé, notável por ser um dos maiores clientes pessoa física que o Flamengo já fidelizou, se criou pra cima da gente. Bizarro! E o Fábio, que fez a carreira praticando as defesas mais difíceis que um goleiro pode fazer somente contra a gente, nem sequer sujou o fardamento. Sei porque acompanho!

Falando em horror, já está mais que na hora de a diretoria fodástica Rubro-Negra atentar para o fato de que é mais importante ter torcedores apoiando que sócio-torcedores tirando onda. Não, uma parte maior dos ingressos não tem que custar um rim e ir pras mãos da galera de iPhone. Sim, o humilde trabalhador das massas ignaras, assalariado, sofrido e desdentado, tem que ter mais acesso em jogos grandes como o de ontem. A empolgação da Magnética não vem do Leblon. Ou que essa galera aprenda a torcer. Não tenho nenhuma inclinação a apoiar essa aberração esquerdista (mais uma!) de “função social” das coisas. Estou egoisticamente pensando é na energia que a massa entrega ao time, o que a turma da camisa Tommy Hilfiger e do cardigã nos ombros infelizmente não consegue sozinha. E o Fla tem receitas diversas de monta elevada o suficiente para não precisar ser mesquinho na hora de precificar ingresso.

Outra conclusão a que cheguei nos últimos dias, principalmente após as duas derrocadas nos últimos dois jogos: não dá pra ganhar tudo. Tríplice coroa é algo que nunca aconteceu no Brasil e, na Europa, ocorre bissextamente, e com times de outros planetas. Portanto, a adversidade do malogro em um dos três torneios de maior monta do calendário não pode ser vergonha. Vergonha é como será isso. Espero que a potencial eliminação nesta Libertadores, torneio com o qual estou quase afirmado que somos incompatíveis, seja a única neste resto de temporada. A ver.

Flamengo 0X2 Cruzeiro, Copa Libertadores 2018, Oitava de Final – ida.

Flamengo até morrer!

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cornetada vitoriana 277: é preciso saber perder

53d46f43c59b8c353ed00c21b357b1ee“É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. Toda pedra do caminho você pode retirar.” E é, sim, preciso saber perder também. Não, não precisava ser como foi hoje. Seria menos chato e doloroso se fosse com dignidade. Mas foi quando podia. Minha linda, amada e inseparável consorte (com sorte mesmo, ô mulher incrível!), em seu inefável desejo de mostrar o conhecimento boleiro que só quem fecha com o lado Rubro-Negro do espectro pantenístico tem moral pra fazer, levantou a hipótese de que era melhor ter sido o contrário em relação ao resultado de Grêmo e Fla na quarta passada – sugerindo a possibilidade de inverter os placares. Não, não é possível. E nem desejável. Temos mais 21 rodadas pra nos recuperarmos do papelão de hoje (que já estava nos planos, é bom que se diga). Mas um revés como esse na C do B seria bem complicado de reverter.

Bom, por que afirmei que a derrota de hoje estava nos planos, sem, obviamente, considerar as condições favoráveis do pré-jogo? Digo isso aqui todo ano, em uma das, no mínimo, duas vezes em que temos que renovar nosso visto para uma incursão aos pampas galdérios do Uruguai do Norte, isso quando nosso nobre host não está chafurdando na lama inglória de alguma divisão subalterna do ludopécio nacional: o Flamengo não se cria pra cima do Grêmio. Isso certamente está em algum livro do Primeiro Testamento, de tão catastrófico, mas indubitável que é. É praticamente um axioma. O que explica a comemoração ensandecida no empate de quarta.

Bem, mas, como se diz, no entretanto, e lembro ser desnecessário acautelar o nobre distraído que desafortunadamente possa ter caído por essas paragens, o que é importante segue após o ‘mas’, o Flamengo de hoje foi nada menos que patético. Mandou mal, como se fosse o Flamengo do ano passado ou o do começo desse ano. Anêmico, distraído, indolente, inútil. Muito ruim em todas as 10 posições à frente do goleiro – esse coloco em um outro patamar e está perdoado de qualquer mal que, porventura, tenha cometido. Não, não cometeu. Mas o Fla? Tonto. Desnorteado. Preguiçoso. Não vou citar nominalmente jogadores e fraquezas, mas Rodinei, Juan, Tuller, Renê, Cuéllar, Jean Lucas, Everton Ribeiro, Uribe, Vitinho e Paquetá jogaram muito, muito mal. E ponto. Parecia que o Flamengo é que tinha mandado a campo um time reserva. O que só ajuda a piorar a lengalenga flamenga no dia de hoje. A esquecer.

Os anti piram. A banda segue. Mas o horror pode vir amanhã, com a quase certa derrota do V4sco no Morumbi. Se bem que o São Paulo…

Agora, é catar os caquinhos e seguir em frente. Há de se aprender algo com isso. Quarta tem mais. Decisão. Mata-mata. Sufoco, bicho. Vamos!

Grêmio 2X0 Flamengo, Brasileirão 2018, Rodada 17.

Flamengo até morrer!

cornetada vitoriana 276: Lincoln, herói de uma Nação

downloadO que foi isso que vimos hoje, amigos? O melhor jogo de futebol após a Copa? O melhor jogo de futebol do ano, incluíndo os da Copa? O melhor jogo do Flamengo contra o Grêmio de Futebol Portoalegrense em décadas? Aliás, com esse nome, se o Grêmio fosse uma loja, ele se chamaria Loja? Se fosse um carro, se chamaria Carro?

Bem, o Flamengão Doutrinador Catequético Evangelizador do balípodo nacional foi à bela capital do Uruguai do Norte e deu uma aula futebolística à segunda força daquelas belas terras gaudérias. É bem verdade que useira e vezeiramente não nos criamos pra cima dos caras, mas hoje, em que pese não termos feito mais gols que eles, o empate foi com sabor de goelada para a Magnética mais linda do mundo. Só pra geral ter ideia do massacre, no segundo tempo foram 17 chutes, sendo 4 ao gol e 9 bloqueados pela defesa, contra zero, Z-E-R-O, do adversário e 67% de posse de bola. Um açougue!

Bão, de resto, temos mais um importante jogo contra os caras, mudando, desta feita, a chave para o Brasileirão. Temos que, ao menos, empatar, para manter a dianteira na competição e podermos dizer, dependendo somente de nossos esforços, a máxima bravata mais que verdadeira e pertinente: segue o líder!

Não dá pra finalizar sem, antes, mandar uma letra sobre nosso herói, o aspira Lincoln: nunca critiquei. E parei, mesmo sem ter começado. Humilhou o Dourado, pior investimento do mundo, duplamente hoje: ao entrar e deixá-lo no banco e ao marcar o golaço do empate nos acréscimos. Já é mais famoso no mundo que o egresso de Tricolândia.

Grêmio 1X1 Flamengo, Copa do Brasil 2018, Quarta de Final – ida.

Flamengo até morrer!